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MEIO AMBIENTE: POR QUE SE ENGAJAR?

A jovem parintinense Helena Andrade, estudante de Relações Internacionais e Ciência Política, na UNB, conta o que pensa sobre a atuação da juventude nas causas ambientais.



Helena Andrade, durante a Expedição Amazônia 21, na comunidade indígena Três Unidos, situada no rio Cuieiras.

Bolsista da 1ª Expedição Amazônia 21, realizada em janeiro de 2019, Helena Andrade foi uma das três brasileiras selecionas para compor a Delegação de Jovens do Brasil, no Fórum das Nações Unidas para Florestas – UNFF14, em maio deste ano, na cidade de Nova York. Nascida em Parintins, no Amazonas, Helena (19), hoje mora em Brasília, onde cursa Relações Internacionais e Ciência Política, na Universidade de Brasília – UNB e nos falou com foi “Estar tão perto das tomadas de decisões mundiais”, durante a UNFF14 e como o posicionamento e participação dos jovens podem ser uma real contribuição para a preservação do meio ambiente.




A Academia entrevistou a estudante depois que ela retornou do Fórum. Confira.


AAE - Quando começou o seu interesse pela agenda ambiental?

H.A. - Sendo amazonense, desde muito jovem compreendi a importância da proteção ao meio ambiente, estimulada principalmente pelos longos passeios de barco pelo rio Amazonas e pelas visitas às cachoeiras de Presidente Figueiredo. Mas só fui realmente estudar sobre o assunto na faculdade, quando tive contato com a disciplina de Proteção Internacional do Meio Ambiente e percebi que poderia concentrar meus estudos de Relações Internacionais em questões ambientais, unindo duas paixões.


AAE - Conte o que é o UNFF14 e quais foram suas atividades durante o evento.

H.A. - O Fórum das Nações Unidas para as Florestas surgiu no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio 92. Criado para promover o diálogo intergovernamental sobre florestas e facilitar a adoção de políticas de conservação, gestão e desenvolvimento sustentável, ele acontece desde 2001 e cada sessão é dividida em dois anos: nos anos ímpares, como foi o caso, as discussões são mais técnicas. Nos anos pares, mais políticas.

Como parte da delegação jovem do Brasil, só pudemos atuar como observadoras. O único momento que pudemos falar foi nos eventos laterais, quando abriam para perguntas. Mas nem por isso deixou de ser uma experiência incrível! Estar tão perto das tomadas de decisões mundiais, perceber as diferenças entre os discursos dos países e fazer networking com pessoas super conhecedoras dos assuntos que nos interessam é algo sem precedentes.


AAE - Ter a oportunidade de conhecer e debater com pessoas de outros cidades, países e continentes, geralmente, é algo que nos ajuda a ampliar nossa visão e nos leva a reflexões. Foi assim para você no UNFF14?

H.A. - Com certeza! Percebi principalmente que ainda há muito a fazer quando se trata de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Mas longe de me desanimar, isso me dá esperança para continuar lutando e me unindo a pessoas que querem caminhar na mesma direção.


AAE - Você é otimista em relação a capacidade de reação da sociedade diante da magnitude do problema ambiental de nossos dias?

H.A. - Não sei dizer se seremos capazes de reverter todos os problemas decorridos de séculos de exploração da natureza, mas tenho esperança que a conscientização ambiental que cresce a cada dia nos trará bons resultados.

O veganismo, o consumo consciente e os movimentos em massa em prol do clima são bons exemplos de que já percebemos que há algo errado e que temos que começar a nos mexer se quisermos que a espécie humana sobreviva por mais tempo neste planeta.


AAE - Ter feito parte da 1ª Expedição Amazônia 21 ajudou na sua participação e desempenho no UNFF14?

H.A. - Sim! Tenho certeza que foi graças aos conhecimentos que adquiri na Expedição Amazônia 21 que consegui pensar em um tema de artigo para submeter na minha inscrição para o UNFF14, uma parte essencial da escolha para participar do evento.

Ademais, me senti muito mais segura para falar sobre a Amazônia em conversas informais e nos eventos laterais da ONU, com profissionais em questões ambientais do mundo todo. Afinal, foi na expedição que eu entendi que não devo sentir medo de conversar com doutores só porque estou na graduação. Todos nós temos algo a aprender e algo a ensinar.


AAE - O que você gostaria de nos dizer para concluir esta entrevista?

H.A. - Queria aproveitar a oportunidade para dizer aos jovens que não só podemos, como devemos lutar em prol de uma participação mais ativa nas tomadas de decisão do mundo.

Um grande problema dos governos é pensar a curto prazo, porque a maior parte das pessoas com poder de decisão já não estariam atuando daqui 50 anos. Mas nós, jovens, estaremos. Pensamos a longo prazo porque pensamos no nosso futuro, e só assim mudanças sociais efetivas podem ser feitas.

Então, não tenham medo de participar por acharem que não sabem o suficiente. A verdade é que muita gente não sabe. No evento da ONU, senti que a comunidade jovem era a melhor preparada para discutir os assuntos, e isso foi inclusive reiterado por delegações da sociedade civil de outros países. Temos que nos colocar, mostrar nossas posições. Juntos somos mais fortes.


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